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Aos deprimidos

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Aos deprimidos

Mensagem por JoFederici em Sex Mar 07 2014, 02:08

Postei o texto a seguir no Facebook hoje. Como a intenção é acolher, vou tentar espalhar por algumas comunidades!


Aos deprimidos,

Essa carta se destina à pessoas que sofrem ou já sofreram de algum grau da doença depressão. Estas entenderão e se identificarão com algo que eu disser aqui, e isso pode vir a ajudar algum deles. Outras pessoas vão apenas ler ‘rabiscos’ sem sentido e, ocasionalmente, me taxar como louco. Esse é talvez um dos grandes fatores que dificultam o processo de ‘cura’ desta doença. O fato de ser compreendida apenas por quem já passou por ela.
O que vou tentar aqui é simplesmente despejar tudo o que passa na minha cabeça agora, ou quase tudo. Não estou visando lucro, atenção ou pena com essa atitude. No passado, desabafava ideias e tristezas em blogs e fóruns, e isso me ajudou bastante. Nesta fase da minha vida, estou aparentemente perdendo grande parte das coisas com que eu me importava, e assim também se foram os ouvidos atenciosos que já não se interessam em ouvir alguém que ‘só chora’. Eu não os culpo. Como eu disse, só entende quem já passou por isso.
Se você não teve essa doença e mesmo assim se atreveu a chegar até aqui, já começa a questionar: ‘esse jovem perdeu tudo? Como assim? Tanta gente passando fome, cego, surdo, sem poder andar! Que absurdo!’. Sim, tenho certeza que no ponto de vista global, tem muita gente pior do que eu. Eu nunca passei por nenhum desses problemas, e a mesma regra com que comecei este texto se aplica aos problemas deles: só entende quem passa por isso. Eu sei que não vou conseguir te convencer disso, mas na minha cabeça, o cego perdeu a visão, o surdo perdeu a audição, e o depressivo perdeu a mente. Eu não sei sobre você, mas eu fui um daqueles jovens que prezou a mente acima do físico, então pra mim, eu simplesmente perdi a melhor coisa que eu tinha. E perder a melhor coisa que você tem pode acabar fazendo com que você perca a coisa que realmente importa nisso tudo, que é a sua vida.
‘Alarme, alarme! Indiretamente, ele falou de suicídio! Chamem os paramédicos, amarrem-no e censurem o texto!’. Essa é a sua deixa, pessoa sem depressão, de parar de ler o texto. Para meu público alvo, esse assunto é um pouco mais comum, embora ainda exista muito tabu para alguns. Não começou desse jeito, mas depois de um tempo deprimido, eu comecei a pensar em suicídio. E mesmo assim, até hoje, quando eu penso nesse assunto, me dá vontade de chorar. Pensar em perder a coisa mais preciosa que eu tenho? É apavorante! Mas isso é bom, é um sistema de defesa. Quando este assunto se tornar algo simples e apático, só pode significar duas coisas: você não está realmente considerando isto, ou você está totalmente preparado pra fazer. Eu realmente espero que seja a primeira opção.
Hoje cedo ao entrar no Facebook me deparei com uma carta de um amigo, abrindo o coração e contando coisas que há muito o incomodava. Em certo momento, a carta soou como uma despedida, e na mesma hora abri o chat com ele e exigi notícias. Não que eu seja uma entidade salvadora de vidas, mas eu me importava, pois além de toda a perda que seria a ausência de um gênio como ele no mundo, também seria mais uma perda pra eu ter que lidar. E eu não estou bem numa fase boa para isso. Agora pouco ele me deu notícias, e conversamos um pouco, e dissemos um pro outro que estamos juntos nessa. A sensação de conforto em ver alguém que me entende me inspirou a fazer esse desabafo. Quem sabe tem alguém perdido por aí precisando saber que, em algum lugar, tem gente que entende.
Por que eu falo sobre ‘entender’? Bem, recentemente eu passei por momentos conturbados na minha vida. Eu fazia estágio em vários hospitais pra conseguir ser aprovado durante o que chamamos de Internato no curso de Medicina, e em um desses campos de estágio, tinha um preceptor (sim, um médico, o que hoje em dia não é grande surpresa, ver um médico fazendo esse tipo de coisa) que ficava me ‘sacaneando’. Eu digo sacaneando porque pra mim aquilo era algo normal, tipo um bullying, e que depois que aquele mês terminasse, eu não teria mais que olhar pra cara daquele maluco. Hoje em dia, nos desenrolares legais da situação, me explicaram que esse tipo de bullying, de alguém hierarquicamente superior à você, é chamado de ‘assédio moral’, e que eu deveria ter prestado queixa. Mas como diabos eu ia saber, né? Não estamos aprendendo essas coisas aos 23 anos de idade? Enfim, esse camarada me ‘sacaneava’ todos os dias, e como eu já não tava muito bem em casa (cuidando de uma vó abandonada pela maioria dos filhos), eu disse pra ele que a partir daquele dia, estaria no hospital no horário indicado, mas cumprindo minhas atividades previstas para o dia, e não o rodeando durante seu querido momento de humilhação – conhecido por ele como ‘passar visita’ – que mais parecia um circo para os estudantes ‘puxa-sacos’. O estágio lá acabou, eventualmente, e eu pude ir embora e seguir a minha vida no falso internato de Clínica Cirúrgica daquela faculdade, onde a cada semana tínhamos uma surpresa da administração. Éramos barrados em porta de hospital, ou tínhamos que ouvir médico reclamando que estava com o salário atrasado e que nosso curso ‘é uma merda’, e essa sequência toda semana acabou me desanimando e me colocando pra baixo. Nessa hora eu percebi que eu estava agravando um quadro depressivo que já me quebrava desde o início do semestre. Quem diria que diante tantas confusões, nosso coordenador pediria demissão, e no fim daquele período eu contaria com a avaliação de apenas UM dos campos de estágio por onde passei naquele semestre... Te dou um abraço se você adivinhar qual foi! Pois é, fui reprovado por ‘frequentar apenas 1/5 do período de internato’ pois ‘não passava visita’ com aquele camarada que eu falei ali em cima. O que me assediava moralmente, lembra? Mas isso não é tudo: em dezembro me escalaram para o internato seguinte, de Ginecologia e Obstetrícia, para cumprir escala durante as férias! Me deparei com um internato maravilhoso, bem organizado por um MÉDICO DE VERDADE, e nos próximos 6 meses dividiria plantões com meus melhores amigos, que fizeram todo o curso comigo. Mesmo sem um período de férias pra tentar me afastar e tratar a depressão, tentei me motivar com tantas coisas boas, e cursei 150 horas do novo internato com vigor, chorando apenas em uma ou outra noite...
E então fui chamado na coordenação para ser avisado de que eu teria que repetir o internato de Clínica Cirúrgica (aquela bagunça, toda outra vez + assédio moral?), e que estava impedido de continuar Ginecologia. E aí você deve indagar: ‘mas eles não podem fazer isso! Eles estão errados!’. É, foi exatamente o que eu disse pra eles, e me responderam que ‘no semestre passado eles tiveram muitas falhas administrativas, mas que não podiam fazer nada por mim academicamente’. Repara que eu coloquei um parágrafo novo só pra isso aqui, e não foi à toa. Nesse dia, minha vida virou de cabeça pra baixo, tudo que eu achava que era certo desapareceu, e toda a depressão que eu estava tentando vencer sem remédios voltou como um caminhão bem no meio da minha face. A situação ainda está se desenrolando, e nesse meio tempo eu decidi que queria trancar minha faculdade por um tempo, pois precisava de um jeito de colocar minha cabeça no lugar. Os poucos envolvidos que me apoiam são contra. Acham que vou perder tempo. Mas é como eu disse lá no começo, lembra? Só entende quem já passou por isso. A melhor coisa que fiz foi criar uma metáfora, onde eu sou um carro em uma estrada que é minha vida, e minha casa onde quero chegar é minha formação. No meio do caminho meu pneu fura, e eu tenho duas opções: continuar para não perder tempo e chegar logo em casa, mas correndo o risco de o pneu explodir e eu capotar; ou perder um tempinho no acostamento trocando esse pneu em troca de uma viagem mais segura. Acho que todos nós que passamos por essa maldita doença já passou ou vai passar por uma decisão como essa. E capotar esse carro não é uma coisa que nenhum de nós vai querer.
Achei que com isso, todo mundo ia entender que eu preciso de um tempo. Eu preciso me isolar e não me preocupar com mais nada além de mim. Restaurar minha saúde mental pra finalmente poder voltar ao trilho da minha vida. Estava me preparando para tudo isso! Só que, mais uma vez, só entende a minha situação quem já passou por algo parecido.
Hoje estou aqui, no meu ‘momento de recuperação’. Como está sendo? Bem... Eu tenho pais desesperados me cobrando por atitudes em relação ao problema. Eu não os culpo, afinal, existem questões financeiras envolvidas nisso tudo – mas assim como eles não entendem meu problema (pois não sofrem de depressão), eu não entendo muito bem o deles (pois o dinheiro não é meu). Minha namorada foi minha companheira por 8 anos, e somos um casal por quase todos estes 8 anos. Infelizmente, ela tem outras obrigações com a faculdade dela, e parar todos os dias pra me ouvir, ou prestar mais atenção no que está acontecendo, é um sacrifício que eu imagino que ela não esteja pronta pra fazer aos seus 21 anos. Também não a culpo. Os pais dela são tradicionais demais pra entender o que está havendo, e ‘atender uma ligação enquanto estuda’ traria reclamações. E também, como se interessar por um jovem que aos 23 anos já sofre de depressão? Os únicos que se interessam nisso, pra falar a verdade, são consultórios médicos particulares... Em casa, continuo no meu eterno plantão nesta enfermaria familiar: aquela avó, doente desde o ano passado, que eu citei lá em cima, lembra? Ontem teve duas convulsões, hoje uma crise hipoglicêmica que a fez gritar um bocado e deixar meu irmão (adotivo e especial graças à uma mãe que gostava de beber um pouco mais durante a gravidez) um pouco assustado. E é claro que eu tenho que tentar controlar isso. A coitada da minha mãe trabalha o dia inteiro e conta com a ajuda de apenas um, dos 4 irmãos que ela tem.
Atualmente, conto nos dedos as esferas da minha vida que estão funcionando corretamente.
E aquele descanso que eu queria, pra colocar a cabeça no lugar, lembra? Você acha que estou tendo? Pois é, nem eu.
Depois disso tudo, hoje foi mais um daqueles dias em que eu entrei no chuveiro, tentei solucionar meu problemas lá dentro e sair com uma solução pronta, e então percebi que a coisa mais fácil a se fazer, é tentar começar tudo outra vez – dar aquele reset na vida, sabe? Daí, como sempre, eu me apavorei com a ideia, chorei um pouco e resolvi tentar outro caminho.
Eu já tentei vários caminhos, e o caminho de hoje é esse texto.
Se houver uma próxima vez, espero que o caminho seja um desenho. Eu queria postar um desenho aqui algum dia =)

JoFederici

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Re: Aos deprimidos

Mensagem por Kity em Sex Mar 07 2014, 12:19

Gostei! Smile

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Re: Aos deprimidos

Mensagem por db em Sex Mar 07 2014, 12:38

Estou sem palavras !!!!

Smile

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Re: Aos deprimidos

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