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Vómitos – De 7 para 8 de Setembro de 2015 - http://o-homem-no-escafandro.blogspot.pt/

Mensagem por Vicent_Vega em Qua Set 09 2015, 18:45

Que merda faço eu da porra da minha vida?
Todos os dias há o minuto certeiro para o suicida. Ele anda, para, pensa e ali está. A possibilidade de não existir. Pontes, comprimidos, cordas, facas, lâminas, comprimidos e sacos de plástico. Escolhe. E mata-te. Eis a solução. Eis o caminho mais certeiro. Pensas em fazer isto ou aquilo e erguem-se as possibilidades do certo e do errado. O bem e o mal. A felicidade ou a miséria. Mas matando-te asseguras-te de que não irás cair na infelicidade, mediocridade, miséria. Qual roleta russa, eu jogo pelo seguro. Apenas eu a caminho do nada.
Quem és tu?
Ninguém. Ninguém é o meu nome.
Ou, o meu nome é Solidão.
Estou bêbado como poucas vezes estive. Filho da puta do telemóvel que não pára de apitar. É o carregador que está fodido. Ou será fudido? Com um belo de um aberto de um “U”? Não está no dicionário. No Grande Dicionário da Minha Vida esta seria a primeira palavra, que se phoda o alphabeto. A importància está na essência do ser. E eu não sou ninguém, nada. Não devia existir.
Tenho certa vontade de vomitar. Espero não o fazer. Espero mais ainda – mais que tudo neste momento – que a indisposição passe. To bêbado. Meu estômago dá cambalhotas como a ginasta desprovida de beleza nos gestos. Está pesado como se carregasse dez mil bigornas que tentam atingir o cartoon.
Cartoon, cartoon, que amigos és tu?
Não serás amigo nenhum, não serás amigo de ninguém, ou pelo menos não meu. Eu mesmo larguei-te algures, à procura de outros amigos de tez mais palpável. Mas esses hoje dizem, Ausente! Ou eu disse Ausente! a eles vezes sem fim, até ao dia em que pensei em aparecer, ou pedi-los presentes. Mas nem microfone, nem cordas vocais, coisa nenhuma.
Muito prazer (ou nenhum). Eu sou Ninguém.
Com licença. Estou indisposto.
Eu tenho 27 anos. E nada dentro deles. Eu tenho 27 anos e não tenho nada.
O problema de escrever é que o pensamento é sempre mais rápido e esfuma-se. O dedilhar em comparação é sempre arrastado.
Preciso levantar e andar. Ou vomito. Não quero vomitar. Tenho as feições distorcidas. Tô branco. Esta música que começa a tocar é horrivelmente triste, mas muito boa. Amo-a com a força dos medíocres. Ou seja, não o suficiente. Posso matar-me à mesma. Apesar da música.
Tenho de morrer pelo que não vivi, pelo que nunca vou viver.
Quem te disse? É possível. – aparece o Mentiroso. O Mentiroso trata-me por tu. Filho da puta.
Não acreditemos em mentiras.
Morre porra, morre!
Eu devia ter nascido no final dos quarenta, no princípio dos cinquenta. Ter vivido os sessenta, isso sim. E é isso mesmo, ter vivido. Não ter passado por lá. Ter VIVIDO. Por que esta vida, esta vida não é para turistas.

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Vicent_Vega

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