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Pequenos Sonhos, Grandes Problemas ou Vai-se Embora a Daniela, Cravo e Canela (com pitadas de Açúcar Mascavado) e o que fica no seu lugar é mais cegueira, mais silêncio

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Pequenos Sonhos, Grandes Problemas ou Vai-se Embora a Daniela, Cravo e Canela (com pitadas de Açúcar Mascavado) e o que fica no seu lugar é mais cegueira, mais silêncio

Mensagem por Vicent_Vega em Dom Out 11 2015, 23:43

http://o-homem-no-escafandro.blogspot.pt/


E eis que, no meio das semanas, dos dias, das horas, sempre as horas, e dos minutos, Ela diz que vai embora. Vai e não volta. Sobra mais tempo para o vazio, diminuem os pontos de referência.
Francisco, pergunta a Doutora, o que te faz vibrar?
Não sei que Criador perverso desenha e apaga, destapa e cobre, faz sonhar e logo define os sonhos como um horizonte de areia. Nada se sustém. Os dias são preenchidos pelo coleccionar de tópicos sobre o que não posso ser, o que não posso fazer, o que não posso ter. Devia ser o homem que sabe arrojar as pedras e não sou. O meu talento é tropeçar, é o que eu faço bem. Carlos Drummond de Andrade, dá-me alguma coisa…

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.

Silêncio. Problemas, mediocridade e miséria são bigornas que se agarram ao meu escafandro e estou cada vez mais pesado, cada vez mais no fundo. Meu discurso parece o velho e bom disco riscado, não sai do mesmo lugar. Tudo o que penso e escrevo fica de facto limitado. Minhas ideias e visões pessimistas são minhas lentes e minha retinas castigadas. Sobre este eterno negrume não posso prometer que se estanque, só posso pedir desculpa pelos rasgos inúteis e estúpidos de quem acha que precisa e pode expor o que na verdade podia bem era guardar nas gavetas.
Nos últimos dias as horas inúteis são como peças de dominó a cair em cascata sem que alguém ponha mão nelas. Entretanto, entretenho-me a rodopiar um lápis entre os dedos, a pensar que bem que me podia dedicar a coisas como a astrologia e o tarot. Pelas ruas, por aí, pelejo os pés contra o asfalto, numa roda-viva de condenado, nas idas e vindas pendulares, no rodopio à volta de um eixo esgotado. O mundo é visto pelo vidro grosso e baço do meu escafandro. O escafandro é a minha pele, a minha pele é o meu escafandro. As imagens, a vida, o ar, são sempre tidos em segunda mão, nada há de original ou de vibrante. Vejo-me no espelho do outro lado da sala, coisa que não me lembro de fazer há muito tempo. Vejo um jovem já não tão jovem de olheiras cavadas, pele pálida, os óculos tortos, a barba por fazer. Ando para a frente e para trás naquele balcão, uma corrente invisível segura-me pelo tornozelo. De repente penso, quase como se fosse mesmo uma novidade, Ela não vem mais. A Daniela não vem mais. Tudo o que ocupa a cabeça, sem deixar qualquer espaço de sobra, é agora a palavra NUNCA.
E há aquela indisposição. À noite pensava porque penso demais – é essa a maldita Doença –, e pensava na Cravo, Canela e Açúcar Mascavado, em como ela era impossível na sua beleza, na sua singularidade. Pensava nela, em como se tornaria em mais vida inalcançável, e pensaria em tudo o resto. Tudo o resto que eu quero que vá para o inferno. E penso. E penso que estou a pensar, penso que não consigo parar de pensar e que isso, mesmo depois de 2 mg de alprazolam que me desaceleraram, não me deixa dormir quase nada. No dia seguinte lá estão as horas e as misérias, e a máquina do café mesmo ao lado. E continuo a pensar. Penso e não paro. Penso como vão ser difíceis os dias que começavam, a ausência mais forte do que todas as presenças de que disponho juntas. Penso nos problemas do negócio que odeio, penso na ansiedade que provoca constantes tsunamis por dentro, seguro e disfarço as ânsias de vómito, penso que devia parar de procurar escape bebendo para enevoar a cabeça, penso que preciso mudar, penso no que preciso ser capaz de fazer, penso que não vou ser capaz de fazer, mando-me calar. Pedem-me um tinto sirvo um fino, pedem-me um café curto sirvo um descafeinado, pedem-me carne bem passada levo mal passada. Acelero o passo porque ficar quieto, desacelerar é… não sei o que é, só sei que é terrível. Os cheiros da cozinha do restaurante matam-me. Vejo a cara da cozinheira na minha frente ela está preocupada mas não sei o que me diz, só sei que tenho de sair de perto dela e isolar-me. Dói-me o peito, e custa-me a respirar, respirar já não é natural, é preciso pensar Inspira, Expira, Inspira, Expira. E dói-me a cabeça, abaixo e levanto e fico tonto, e vai-e-vem a náusea. Tudo é terrível, Eu, o Homem no Escafandro, não corri bem, tudo deu errado, e já não é sobre como vou mudar de vida, como vou ser livre, é sobre como vou sair dali, daquele momento. Preciso sair mas não sei para onde, a minha cabeça parece estar mal encaixada. Isolo-me e agarro-a com as duas mãos, talvez vá morrer, talvez mereça, por enquanto podia jurar que era hora de vomitar. Caminho para as traseiras do restaurante, vou sair para o quintal. Vejo-me como que de uma câmara que filma lateralmente – ele, o miserável que caminha para fora, o quintal que parece mais impossível do que nunca, há um zumbido incómodo como trilha sonora, fazem eco no corredor os passos definitivos do Escafandro, um lamento que se estende pelas paredes, a velocidade que perde para o chão, a cada fôlego essencial que se dissipa.

Vicent_Vega

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Re: Pequenos Sonhos, Grandes Problemas ou Vai-se Embora a Daniela, Cravo e Canela (com pitadas de Açúcar Mascavado) e o que fica no seu lugar é mais cegueira, mais silêncio

Mensagem por MariaLaura em Ter Out 13 2015, 10:00

Uma recomendação: à noite ou quando os pensamentos sejam automáticos, nas horas vazias, abra o coração para os grandes da Literatura Universal: Kafka, Saramago, Cervantes, Joyce... O mundo ganhará sentido. Há lições a aprender, connosco, sozinhos, sem ninguém.

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