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Mensagem por Vicent_Vega em Dom Nov 08 2015, 17:20

Há um outro Homem no Escafandro. Felizmente (ou não) ele não anda por aí. Existe somente num plano imaginário que me dedico a cultivar. Só não tenho a certeza se o faço mais do que seria saudável ou, antes pelo contrário, tanto quanto o necessário, tanto quanto me faz bem, segurando o impulso de desferir na realidade o ódio latente em cada porra de dia que passa.
Não sei que imaginário doidivanas pode ser suficiente para aguentar a passagem do tempo – um equilíbrio instável onde é essencial descarregar o peso da realidade na criação de um mundo à parte onde eu, Homem no Escafandro, dedico-me a vingar-me com violência sobre pessoas que me fazem mal, ou que eu constate, de modo cru, que fazem mal a outros. Não que eu tenha uma visão maniqueísta do mundo, não me sinto assim tão inocente. Tanto não divido o mundo entre Bem e Mal que não me considero uma pessoa boa (ou má) de modo absoluto. Aqueles mesmos pensamentos revanchistas de violência sobre quem me causa mal são tudo menos compatíveis com qualquer modelo de uma pessoa realmente íntegra, indulgente, boa. Uma auto-imagem incompatível, por exemplo, com perfis como o do bom-moço de histórias, a do bom católico. Tenho ódio em mim e muitas noites uma vontade impressionante de sair por aí – com ou sem capa, não faz diferença – de vingar o mundo em atos de violência. Vingar a maldade com mais maldade. Um caso em que menos com menos seria mais. Talvez, quero dizer. Um grande talvez posto pela existência de algo que dá pelo nome de consciência.
Há dias maus, semanas más, fases más. Quando se passa por uma fase má – daquelas em que o universo, forças cósmicas, Deus, Alá, seja o quer for, parecem conspirar contra nós, penitenciando-nos por sabe-se lá o quê, ou fazendo-nos cumprir uma tortuosa sina da qual não queremos saber – é mais do que comum haver pelo meio pessoas difíceis, nojentas, cruéis, injustas, agressivas a cruzar o nosso caminho. Desde cedo habituei-me, em circunstâncias específicas, a esmoer qualquer coisa que me afetasse, sem reagir exteriormente. Já disseram mais do que uma vez que eu parecia ser mesmo daquelas pessoas habitualmente caladas que depois, por vezes, explodem tudo de uma vez. Talvez seja verdade, mesmo que, sublinhe-se, essa explosão até hoje pouco ou nada tivesse a ver com a fúria desbragada pela qual a minha imaginação deriva.
Que fique claro, o Homem no Escafandro Paralelo não é suficiente. Nem há como, diga-se. A imaginação não chega. Por muito que fuja, a realidade impõe-se, não abdica da sua importância e do seu lugar. E se não fosse assim, qual seria o caminho? A loucura? Será possível ser feliz dentro da nossa própria loucura? Como uma doença da felicidade. É difícil acreditar e um desejo medíocre.
Delineiam-se diferentes hipóteses de futuro, nenhuma com quaisquer garantias mínimas de sucesso. Sempre tive problemas com as decisões. Como escolher o caminho A se há o B? Ou como escolher o B se há o A? E se acabo por escolher o A que, talvez, quem sabe, sob determinada perspetiva, pareça ser o melhor, depois é inevitável que eu me perca em conjeturas sobre como seria o Homem no Escafandro que seguisse pelo caminho B – como estaria ele, se não estaria melhor, o que me leva sempre para impossibilidade de atingir a plenitude da satisfação e segurança com a reclusão de uma escolha.
Nada disto é simplesmente um problema meu. Se de um pecado estas questões sofrem é, desde logo, a de uma obstinada falta de originalidade. Escolher é difícil para todos, nada há de mais banal. Desde cedo aprende-se a saber lidar com isso, é bom que se resolva parte do problema logo na adolescência para não ficar à deriva, a sentir aquela aceleração interior que precede a explosão, o curto-circuito. Se há qualquer coisa que fica comigo nos últimos dias, é uma espécie de sensação de furacão de pensamentos e hipóteses (pensar demais, sempre a maldita doença), um rodopio que acaba em desorientação parcial, uma sensação de indefinição inescapável, com as consequências sempre degradantes, como o corpo a somatizar o negrume da mente – as dores de estômago, a ânsia de vómito, as dores de cabeça, sempre as dores de cabeça, o sono descomunal e a incapacidade de dormir, as costas doloridas, a moleza geral, uma listagem só mais chata de sentir do que de descrever.
Pensamentos de evasão e de transformação costumam ser engolidos pela rotina, máquina trituradora, que mói, lentamente, vence-me pelo cansaço, expõe da minha pequenez. E a vida acaba por não ser os raros momentos de transcendência ilusória, é essencialmente constituída pelas frustrações e angústias dentro de estreitos limites desse dia-a-dia que vejo como miserável e infeliz, que suga as poucas possibilidades de bem-estar ou prazer. Fico afogado no repetitivo “se…”, em sonhos de felicidade que nunca passarão do eterno horizonte, sempre na mira dos olhos, mas inatingível. Pareço insoluvelmente preso pelos pensamentos circulares, uma teia claustrofóbica de um pessimismo implacável, mesmo que fique continuamente a tentar inventar projetos de fuga sempre condicionados por um Medo que chega a ser irracional. Um, dois, três, dez versões de Homens no Escafandro que eu estabeleça e o gosto que fica na boca é o da derrota.

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