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Redenção e Incompreensão

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Redenção e Incompreensão

Mensagem por matheusfraga em Ter Nov 17 2015, 00:35

Olá pessoal, nunca participei de nenhum fórum deste tipo, mas venho aqui para buscar um pouco de compreensão, já que não tenho encontrado ela, especificamente de duas pessoas que me importariam que me compreendessem, vou contar minha história e vou tentar ser o mais breve e objetivo possível;

Tenho 27 anos e me chamo Matheus.

Há mais ou menos 7 anos que eu faço/fazia (vão entender o motivo do verbo no passado) terapia com uma mulher, a Lili. Ela se intitula como psicopedagoga. Tive muitos momentos felizes que atribuo a ela como mentora deles, sejam eles: Quebras de paradigmas, novas experiências a que me propus, novas formas de pensar, etc. Além de tudo, desenvolvi muita amizade com ela, ia na casa dela no seu sítio, passava finais de semana com ela, enfim, nossa relação extrapolava a relação terapeuta-paciente e eu gostava disso, podia ligar para ela qualquer hora do dia, mandar mensagens, ela sempre me procurava também, uma relação típica de amizade.

Acontece que existe uma menina que também fazia sessões com a Lili e ela se chama Samara. A Samara foi ex-namorada do meu melhor amigo e primo, viajávamos juntos de casal (eu tinha uma namorada nesta época), saíamos para jantar, etc, uma convivência normal entre casais amigos. Passado um tempo, eu terminei meu namoro e a Samara também tinha terminado e na saída de uma sessão minha chamei ela pra ir passar o réveillon comigo, estava indo uma turma grande de solteiros, ela topou e começou assim uma grande amizade entre eu e ela. Saíamos juntos, íamos pra festas, eu tentava arrumar uns caras para ela pegar e ela também tentava me arrumar as amigas, era uma amizade muito boa e de muita cumplicidade.

Até então, eu sempre tinha enxergado a Samara simplesmente como uma amiga e chamava ela de Prima (porque tinha namorado meu primo), nunca tinha me aproximado dela com outras intenções, até um dia que saí com este primo meu e no meio da conversa em que eu contava a respeito das minhas saídas, baladas, amizade com a Samara, etc, ele disse: "Cara, você sabe que eu não sinto ciúmes nenhum da Samara né? Se você quiser ficar com ela, fique a vontade." Eu prontamente respondi: "Que isso?!? Tá doido ?!? Nunca faria isso." Mas acontece que a partir daquele momento, uma trava que eu tinha com relação a aproximação com ela foi por água abaixo, e um dia no meio de nossas saídas de solteiros, a gente acabou ficando e agora que a história começa a tomar ares dramáticos.

Havia mais ou menos 1 mês que a gente estava ficando, eu gostava sim de estar com ela, mas no fundo não queria namorar naquele momento, embora soubesse que ela, pra mim, era uma mulher diferente. Como eu sempre gostei muito de filosofia e psicologia o meio que convivo na sua grande maioria, não entendia muito bem quando eu queria conversar a respeito dessas coisas. A Samara era diferente, ela me entendia e as conversas que tinhamos a respeito da vida, da sociedade e de todas as coisas que isto cerca eram muito boas. (Parecidas com as que eu tinha com a Lili, a psicopedagoga). De certa forma isto fez eu me encantar por ela e ter a certeza de que eu queria continuar ficando com ela para conhecer-la melhor, reitero aqui, ficando.

Certa vez em uma sessão minha com a Lili, ela me disse: "Não ache que a Samara é dessas de só querer ficar, uma mulher dessas tem que se assumir." Ora, era um insight claro para mim, de que eu teria que perdi-la em namoro. E assim o fiz.

Começamos a namorar e nosso namoro foi MUITO conturbado, aquilo que eu via como admiração pela Samara, comecei a ver como empecilhos, brigávamos muito, nossa relação não evoluia, e eu que sempre quis casar, ter filhos e etc. Não tinha certeza se era ela a mulher que queria, enfim, nosso namoro não era bom (pra mim) e eu vivia terminando, me sentia sufocado, sentia que estava perdendo minha identidade, que eu estava mudando sem eu querer, etc. Devo ter terminado umas 12vezes, literalmente. Mas todas as vezes que eu a procurava, geralmente em um intervalo entre 2-15 dias depois dos términos, eu estava certo de que a amava e que queria ela pro resto da minha vida, ela me aceitava de volta, voltávamos o namoro, mas não demorava alguns dias para que eu começasse a me sentir confuso novamente com relação a ser ela a mulher da minha vida.

No meio disso tudo, eu sentia que havia perdido a confiança na Lili como minha terapeuta, cheguei até a falar isso com ela algumas vezes, cogitamos de que eu deveria procurar outro aconselhamento, mas nunca chegou a sair do papel, insisti e permaneci com ela. Não poucas vezes eu enxergava falas da Lili na Samara e vice-versa, parecia que eu vivia uma relação a 3 e não a dois, era uma confusão total na minha cabeça, sentia que eu estava perdendo as rédeas da minha vida, de que eu não conseguia decidir nada sem voltar atrás (vide meus términos de namoro), de que nada que a Lili falava eu conseguia colocar em prática, enfim, era um verdadeiro tormento e assim foi por quase 3 anos! Eu que sou uma pessoa de pensar muito, ponderar, olhar alternativas e então agir, tinha me tornado uma pessoa totalmente impulsiva, sem certeza de nada do que estava fazendo, vivendo literalmente como a música do Zeca Pagodinho diz, meu sentimento é de que eu era um barquinho de papel no oceano, suscetível a todas as mudanças de vento, ondas, etc. Minha vida foi um verdadeiro inferno.

Foram 2 anos de namoro e praticamente todos os dias, eu ponderava e desejava terminar o namoro, eu tinha uma certa esperança de que com o afastamento provocado pelo término as coisas poderiam mudar e a gente voltasse com outra cabeça. Uma vez depois de uma briga, eu disse a ela que queria terminar mais uma vez e pedi a ela que nunca mais me procurasse e que eu não iria procurar ela. Desta vez (maio deste ano) foram incríveis 3 meses, sem que eu procurasse por ela e vice versa. Durante este tempo, ponderei muito sobre ela, e enfim resolvi que eu queria ela pra namorar e recomeçar o relacionamento. Fui atrás dela e ela me disse que não queria mais voltar, que estava bem e que preferia continuar assim. Mas eu como um bom brasileiro, não desisti. Comprei uma jóia, escrevi uma declaração de amor do fundo do meu coração e pedi que entregassem a ela no trabalho dela, com um pedido no final para que ela ao menos fosse jantar comigo para que pudéssemos conversar. Passado algumas horas ela me mandou uma mensagem (eu coincidentemente estava em uma sessão na Lili) a mensagem dizia: "Tudo bem, vamos jantar. Mas está claro para você que não vamos voltar, né ?" Aquilo foi um balde de água fria, no fundo realmente eu sabia que ela não iria voltar. Como eu estava em sessão e justamente comentando sobre o caso, que eu queria voltar com a Samara, e que eu não tinha sombras de dúvidas de que ela era que eu queria, etc, etc a Lili disse: "Ah! Mas você já deveria ter entendido, né?! Uma mulher dessa, na idade em que está (a Samara tem 29 anos) quer casar e não namorar." Pronto, mais um insight.

Então comprei os anéis, reservei um espaço gigante de um restaurante e fomos jantar. Depois de ler uma carta pra ela, fiz o que manda o script, me ajoelhei e perguntei se ela queria casar comigo. Ela disse SIM! Foi uma alegria imensa, eu estava literalmente nas nuvens com a decisão que tinha tomado, tinha a mulher da minha vida de novo comigo, marcamos a data que seria, agosto de 2016. Jantamos, bebemos, nos alegramos, ligamos para alguns amigos para contar, enfim, foi um desfecho lindo e eu estava muito feliz com minha decisão.

Eu já não sentia sufoco ao estar do lado dela, gostava da companhia dela, as coisas que me incomodavam nela, não incomodavam mais, passei a ver ou tentar ver de maneira diferente, de modo que eu aceitasse ela do jeito que ela era e acreditasse em nós dois como casal. O problema foi, que com o casamento marcado, tinhamos que olhar muitas coisas, e eu sinceramente, não queria olhar essas coisas. Queria estar do lado dela, aproveitar ela, nossa relação que tinha ressurgido do pó e virado flores. Comecei a enrolar e desconversar com relação ao casamento, falava que ia conversar com meu pai, para olharmos outra data, enfim, fui um escroto. Outro problema foi que minha família ficou contra o casamento, pelo histórico de brigas e términos nosso e pelo que principalmente minha mãe ouvia das outras pessoas com relação ao temperamento da Samara (no namoro minha família apoiou muito nós dois, até mais ou menos o meio desta confusão toda de términos e voltas).

Tudo isto começou a me corroer, eu sabia que eu queria ela, que finalmente me sentia feliz do lado dela, mas não tinha certeza se queria casar com ela (muito contraditório, não?!) SIM ! E Isto me atormentava noite e dia. Além de tudo, eu tinha que esconder dela que minha família não estava aprovando para evitar mais sofrimento do que ela estava passando, eu sofria muito, e eu não aguentava mais ver ela sofrer daquele jeito. Comecei a entrar em parafuso e desespero, como era possível eu querer estar do lado dela, mas não querer me casar ? Sendo que sempre foi um sonho meu ?

nota: Quando noivamos, eu decidi que não iria mais na Lili, pensava de alguma forma, que eu estar lá fazendo as sessões poderia estar afetando nosso relacionamento, e eu queria muito que desse certo dessa vez.

Com toda esta confusão na minha cabeça, eu não estava aguentando mais tamanha pressão de todos os lados, não via escapatória, os únicos momentos de alegria que sentia, era quando estava com ela. E sabe o que fiz ? TERMINEI o noivado. Foi assim: Um dia acordei disposto a terminar, mandei mensagem pra ela falando que queria encontrar pra dar uma volta de carro e conversar. Durante quase 2 horas dentro do carro, eu não conseguia falar nada com nada ! Paramos na porta da sua casa e eu fiquei 1 hora mudo, sem conseguir falar um "A" ela pedindo pra eu falar, perguntando se eu queria terminar, eu não respondia, não conseguia responder. Uma hora eu falei alguma coisa que não me lembro, ela tirou o anel deixou no console do carro, eu falava não vai, não é isto, ela parava pra me ouvir, eu não conseguia falar com ela que não queria que ela se fosse. Até que uma hora ela entrou pra dentro do seu prédio. Meu mundo desmoronou ! Liguei pra ela falando que não era isso, que amava ela, que queria ter ela pro resto da minha vida. Ela com toda razão disse pra eu sumir da vida dela. Não estava entendendo nada o que estava acontecendo, eu queria ela, não tinha dúvidas, mas estava terminando! PQP ! Terror ! Estava completamente perdido na vida, sem saber o que fazer, não tinha forças pra nada.

No outro dia desesperado, voltei pra Lili, pedindo ajuda, chorando, dizendo que não sabia o que fazer, que amava a Samara mas que agora ela não queria nada comigo, etc, etc. A Lili como a muito tempo já havia acontecendo, não me ajudou nem aliviou em nada minha dor e sofrimento.

Passado 1 semana do acontecido tinha o feriado de finados e acabei indo para o RJ com minha família. Não tinha animo pra nada, eu estava literalmente acabado, confuso, sem identidade, ansioso, um completo desespero. A noite fomos jantar na casa da minha prima, chegando lá encontrei um primo meu que é Psiquiatra, se chama Rodrigo, no meio da conversa com ele em que relatava todo meu sofrimento ele disse: "É, toda escolha é relativa." Naquele momento parece que eu tomei um soco no peito, eu murchei mais do que estava e me sentei na hora num sofá próximo e fiquei em transe. Ele percebeu e chegou perto de mim longe de todo mundo pra propor que fossemos a casa dele pra conversarmos.

Chegamos lá e começamos a conversar, contei toda a história entre eu e a Samara pra ele. Mas quando eu estava contando, eu tive um insight que me libertou pro resto da minha vida e que é a parte mais importante da história;

Eu finalmente havia enxergado tudo o que tinha acontecido, de repente parece que cairam todas as escamas das minhas vistas e eu pude ver tudo o que havia se passado.

Quando comecei a namorar e pedi a Samara em namoro, eu não senti que a decisão era minha. De fato, fui eu quem estava em corpo presente, a voz era minha, o rosto era meu. Mas o importante, que era sentir que se ESCOLHE e se DECIDE não vinha de mim, era como se tivessem escolhido por mim. Aquele insight que a Lili deu antes de eu pedir a Samara em namoro mudou tudo! Eu vivi todo meu namoro, sem enxergar que a ESCOLHA era minha, está aí o motivo de tantas idas e vindas, no meu subconsciente eu tinha que terminar e escolher, mas como na maioria das vezes os términos duravam no máximo 15 dias, mesmo quando voltava eu não sentia que estava escolhendo. Senti que escolhia apenas no último término de namoro em que fiquei 3 meses longe dela e quando quis voltar eu tinha CERTEZA que a ESCOLHA era minha.

Mas aí entra o segundo insight da Lili quando disse a respeito do noivado. Eu tinha escolhido a Samara e estava pronto para namorar e parar com minhas crises de idas e vindas, mas eu não tinha escolhido pelo casamento ainda. Seria cômico se não fosse trágico.

Resultado ... Assim que voltei do Rio expliquei para a Lili o que eu tinha descoberto a respeito de mim, falei também que a nossa relação terapeuta-paciente havia sido quebrada desde o momento em que eu sentia que havia transferência de informações com relação a mim e a Samara. E que na minha opinião ela tinha cometido um grande erro profissional. Ela discordou de mim e disse que eu estava errado, que eu na verdade estava tentando transferir as minhas responsabilidades para outra pessoa. Eu questionei a ela: "Se estou mesmo tentando transferir a responsabilidade para você, como pode ser que eu estava a beira de um colapso e agora estou completamente aliviado e seguro ?" Falei com ela também que parecia que eu havia nascido de novo, que aquilo não tinha condições de ser uma invenção da minha mente para apenas aliviar meu sofrimento. Ela tratou tudo isto, na minha opinião, com muita leviandade. Ela preferiu manter sua honra profissional intacta do que assumir o erro e ponderar a verdade por trás de tudo.

Também tentei explicar para a Samara, ela também achou toda minha explicação um absurdo e se sentiu totalmente desprestigiada, na verdade ela interpretou como se eu nunca quisesse de fato namorar ou casar com ela, falando que eu era um imaturo, criança, que agora se sentia manipulado pelas pessoas.

Já fazem quase 20 dias desde a conversa com o Rodrigo e já fazem quase 1 mês que eu terminei.

Tentei de várias formas conversar com a Samara e mostrar que com toda a certeza as coisas seriam diferentes dali para a frente, mas foi em vão. Ela não quis sequer encontrar comigo. Infelizmente perdi o amor da minha vida por uma constatação que veio tarde demais. Mas o que mais me dói é a dor da incompreensão.

Sobre a Lili, deixei de ir nela.

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p.s: desculpem pelo texto tão longo.

matheusfraga

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Re: Redenção e Incompreensão

Mensagem por 1006 em Sab Fev 18 2017, 14:19

Olá Matheus

Como é que tudo ficou, com a Samara, agora que já passou tanto tempo?

A Lili errou, concordo. Ela ouvia dos dois lados e acabou por influenciar a vossa história. Os psicólogos deviam abster-se de opinar/manipular.

Adorei a tua história, apesar do final trágico. Espero que tudo se tenha resolvido pelo melhor, para ambos.

1006

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