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Ideomania - Alguém Se Revê?

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Ideomania - Alguém Se Revê?

Mensagem por RafaelMoreira em Qua Dez 02 2015, 14:37

-Ideómano : pessoa fascinada pela sua própria imaginação.
-Ideomania: vício incontrolável em idear e idealizar.
-Ideomaníaco: pessoa que sofre de ideomania.

Os ideomaníacos têm como grande inimiga a realidade e tudo os que os obriga a interagir com ela.
Os ideomaníacos não conseguem estruturar o seu pensamento de acordo com um comportamento arquetípico, presente no panorama social que os rodeia. São desenquadrados psicologicamente e, por isso, socialmente, o que os torna misantrópicos, eremíticos e sociofóbicos, por não conseguirem encadear a sua personalidade transbordante e multicolor.
Os ideomaníacos não conseguem inverter a sua psicologia nem desenvolver a destreza emocional necessária para se adaptarem à natureza interpessoal do seu ambiente social.

O mundo onírico e mental dos ideomaníacos é bastante mais produtivo do que o da pessoa sã e equilibrada mas bastante menos caótico do que o sofredor de psicoses. O ideomaníaco anda com um pé em cada um desses dois mundos da saúde mental.
Ele consegue esticar a sua ideação até à fronteira dos distúrbios cognitivos e dissociativos. Por outro lado, ele não consegue apoderar-se de clareza e lucidez suficientes para dispor de uma psicologia equilibrada, funcional e sã.

Ele exibe traços do espectro autístico e esquizóide: tem dificuldade em interpretar as comunicações interpessoais e em organizar-se, conter-se, situar-se mental e emocionalmente para se relacionar.

Sofre, também, de uma assoberbante necessidade em recriar os mapas da realidade na sua cabeça, descaracterizando-a, assim como sofre de uma avassaladora e automática pressão para se reinventar, conversar sozinho em voz alta, criar realidades alternativas em torno das suas alter-personas, despersonalizando-se.

O ideomaníaco sofre de uma vida mental exacerbada. A sua actividade psíquica é demasiada para a mente consciente conseguir filtrar toda a experiência onírica por que ele passa constantemente. Literalmente, o ideomaníaco sofre overdoses psicológicas e sensoriais.

No entanto, o ideomaníaco não é um doente mental. Ele tem perfeita consciência do seu distúrbio e como este é estranhado pelos outros. Por isso, o ideomaníaco bloqueia-se e reprime-se o mais que consegue, sendo que, para evitar situações de desregulação e descontrolo perante o olhar dos outros, para evitar ser apanhado em flagrante, o ideomaníaco fecha-se em casa ou anda sozinho pelas ruas, muitas vezes rejeitando empregar-se, frequentar um curso académico, comparecer em qualquer lugar onde possa ser forçado a interagir com outras pessoas.

O ideomaníaco não sabe ou não quer adestrar-se. O ideomaníaco sente e experiencia demasiado para poder conter-se, as suas emoções e experiências são tão intensas e assoberbantes que furtam-lhe do equilíbrio psicológico necessário para se poder centrar nele mesmo, na vida e no mundo.

Como tal, ele vive sempre à beira de uma crise, aos ressaltos, disperso por si mesmo, perdido na sua própria ambiguidade subjectiva.

O ideomaníaco não consegue descer de si mesmo e sintonizar-se com a realidade. Apenas a sua dimensão mais superficial se encontra em contacto com o mundo. E é devido a esta que o ideomaníaco é diagnosticado como pessoa sã.

Ele consegue manter uma sólida coerência intelectual e o funcionamento integral do seu aparelho cognitivo. Mas, como está desregulado emocional e psicologicamente, devido à incapacidade de se desconectar oniricamente de si mesmo, é um indivíduo desequilibrado, descompensado e disfuncional. A sua mente é uma teia de delírios auto-infligidos. O ideomaníaco é apenas uma vítima dos seus próprios transes, nada de bio-químico está errado com ele. Tratamento? Algo que reduza a sua prolificidade mental, a sua superprodução psíquica.

Os ideomaníacos/ideómanos estão apaixonados pela sua própria decadência, eles fabricam-na. A decadência é a realização da maior fantasia de todas: o aparente extravio da sua sanidade e a deconstrução da sua identidade terrena.
Os ideomaníacos demonstram alguma desrealização, descreditam a realidade, considerando que se trata de uma simulação, o produto de uma orquestração subconsciente, supraconsciente, sobrenatural, quântica ou divina.

Obviamente, para da decadência poder extrair-se os efeitos desejados, ela tem de ser real, tem de doer. Nada melhor do que uma crise existencial para aquele que se auto-destrói e sabota porque a sua dimensão romântica protege-o contra os danos espirituais e mentais que a vida lhe causa. A vida não só não lhe faz sentido, a vida é-lhe antagónica. Sendo assim, o ideómano está disposto a virtualizar parte da sua psicologia para não comprometer o vício da sua imaginação, que decerto sanar-se-ia caso a realidade passasse a afectar o ideomaníaco mais significativamente do que a preservação doentia que ele faz de si mesmo, da sua existência psico-espiritual idealizada, controladora e descontrolada.

O ideomaníaco recusa-se a sucumbir à adulteração da sua persona base, ou essência. Recusa abdicar do tesouro criativo que é a sua ideação e prefere viver embrulhado nela e, até mesmo, torcido e distorcido por ela, do que render o potencial infinito do seu psiquismo à formatação da realidade.

Ele ficaria perdido com uma identidade concreta e identificável, escrutinável. A identidade do ideomaníaco é um puzzle que ele insiste em destruir, só para que o prazer de fazer o puzzle nunca termine, assim ele nunca culmina a sua auto-aferição numa noção concreta dele mesmo, como faz parte do crescimento humano. Identificar-se com um reflexo claro e absoluto de si e com uma personalidade finita significaria abrir mão de todas as abstracções que o desconectam dele mesmo. E ele precisa de se desencontrar de quem é. Ele prefere inferir-se a sondar-se directamente. Assim, pode fazer da sua identidade o que quiser, ao invés de a confinar à prisão de uma única forma de ser e de experienciar o mundo. A perdição, para o ideomaníaco, é conformar-se a uma única estética da experiência de si mesmo. Ele encontra maior liberdade em ser ilimitada e continuamente maleável às mãos da sua imaginação.

Por isso, cultiva a plasticidade da sua identidade. Por isso, não pode pertencer ao seu meio social, sob o risco de se formatar às doutrinas comportamentais que são exigidas para se integrar num emprego, na escola, num círculo de amigos, etc... Quando o ideomaníaco se sente mensurável, é quando sofre mais. Logo, não pode prestar-se à medição do olhar alheio, pois sabe que irá ser reduzido a uma imagem concreta, aos olhos dessa pessoa. E se uma pessoa conseguir compactar uma noção dele, então essa noção redutora e concreta existe no universo onírico do ideomaníaco. E esse é o seu pior pesadelo. Logo, sabota-se nas relações interpessoais, de maneira a confundir a mente do seu interlocutor, para que este não saiba interpretá-lo e para que este forme uma noção abstracta do ideomaníaco. Assim, a sua identidade real permanece ambígua e, por isso, segura.

O ideomaníaco não é um doente mental. Ele não corresponde psicologicamente ao seu meio ambiente, ele não persegue os cânones e signos da sociedade em redor dele, ele recusa-se a processar as ideologias vigentes e a criar uma mentalidade concordante com elas.
Ou, então, ele simplesmente não tem essa capacidade e aí caímos no espectro do autismo. A diferença é que ele percebe as ideologias, ele está a par das mentalidades. É provavelmente um esquizóide com seu próprio consentimento. Ele distorce a sua percepção e filtragem da vida e dele próprio e inflige um distúrbio a ele mesmo, incapaz de operar numa gama existencial que implica a renúncia da sua imaginação.

Conclusão:

-Os ideomaníacos são viciados em reinventarem-se. Eles recriam-se compulsivamente. Não confundir com multi-personalidade.

RafaelMoreira

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