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Minha ansiedade

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Minha ansiedade

Mensagem por eleeme em Dom Maio 15 2016, 17:52

Oi. Sou nova no fórum... Na verdade, sempre leio as postagens, mas só recentemente resolvi escrever. Tenho 22 anos e sou ansiosa. É algo que sempre me vem à cabeça quando me apresento de alguma forma. É uma característica muito forte, faz parte de mim. Descobri minha ansiedade quando tinha uns 12 anos. Sempre me senti nervosa com absolutamente tudo, mesmo antes dessa idade, mas foi numa viagem muito repentina que eu tive uma crise muito forte e percebi, depois de muito tempo, algumas conversas, outras crises e uma consulta com um psicólogo, que eu era uma pessoa extremamente ansiosa. Eu convivo com pessoas assim desde que nasci. Toda minha família tem algum tipo de transtorno. Minha mãe sofreu de depressão durante anos e, por ter parado com o tratamento na época que sofria do problema de forma mais intensa, acho que até hoje restaram vestígios disso. Não me lembro de uma época da minha vida em que minha mãe não estivesse nervosa, preocupada e me assustando sobre o mundo a minha volta. Ela é incrível, mas extremamente assustada. Minha avó, mãe dela, também sofre de muitos transtornos. Mas jamais foi diagnosticada, porque nunca procurou ajuda. Ela viveu durante a maior parte da vida em uma zona rural e só veio para a cidade quando os filhos começaram a crescer. Ela sempre teve muito medo de tempestades e ficava sozinha com os seis filhos o dia todo, se torturando cada vez que via uma nuvem no céu. As pessoas, naquela época, costumavam dizer que ela tinha problemas mentais, porque ela entrava em pânico realmente em momentos assim, chegava a se esconder debaixo da mesa com as seis crianças, acreditando que estariam protegidos da chuva. Hoje ela tem quase 80 anos e continua apavorada com muitas coisas. Nunca tomou medicamentos, mas sempre que alguém pergunta ela diz "Eu sou nervosa mesmo." Aceita a condição, porém não sabe lidar com ela. Minhas tias quase todas têm problemas de ansiedade, TOC, depressão. Minha família toda vive essa realidade. Aprendi a lidar com o meu transtorno depois de muito tempo de tratamento e autoconhecimento. Melhorei bastante, de uma forma que eu nunca acreditei, de verdade. De alguma forma, comecei a ver o mundo de uma maneira diferente. Achava que era um clichê infantil quando diziam que o mundo ganha outras cores quando nos recuperamos de nossas limitações, mas é verdade. Passei a enxergar as coisas de uma outra forma. Descobri que a luz no final do túnel existia. Eu passei por muitos momentos difíceis, mais do que as pessoas imaginam quando veem uma pessoa jovem e que supostamente ainda não viveu nada. Passei por muita coisa, sim. Gostaria de dizer para as pessoas que enfrentam algum transtorno parecido, que, sim, há esperança. Há beleza, até na dor. E que aquela frase "depois da tempestade, sempre vem o sol", é verdadeira. O sol vai voltar a brilhar, eu sou testemunha. Só não podemos desistir! Algumas pessoas acreditam que uma vez que vencemos certos transtornos, eles jamais voltam. Só que não é assim. Se estivermos predispostos a desenvolve-los, eles provavelmente farão parte de nós, mesmo depois que aprendemos a lidar com eles. Recentemente, passei por uma situação que fez com que os meus antigos fantasmas me encontrassem de novo. O que era para ser um momento de pura realização, se tornou um novo ninho para a velha ansiedade se instalar. Uma crise de pânico tomou conta daquele momento e eu revivi uma situação que tinha ficado guardada há tanto. A pior sensação de todas, a que mais me apavorou um dia, voltou com tudo, e me fez encarar aquela menininha assustada de novo. A desrealização é um sentimento muito ruim, que te faz sentir alheia a realidade vivida naquele momento. Acreditamos estar em um sonho muito distante, porém sabemos que é real. E a sensação é de que você vai perder a sanidade, que é um dos maiores temores de pessoas ansiosas, logo depois de morrer durante uma crise. No dia seguinte, temi que tudo aquilo ia voltar. Todos aqueles momentos difíceis deixariam de ser passado, para se fazerem presentes novamente. Mas, de alguma forma, eu decidi que não deixaria isso acontecer. E eu não me permiti supervalorizar aqueles sentimentos. Me permiti gostar deles, trata-los como parte de mim, porque é o que são. Eles se foram, mas voltarão eventualmente. Porque são parte de mim. Porque, por mais que eu os enfraqueça, eles fazem parte do que eu sou. Aprendi a trata-los com carinho, a aceita-los e saber o momento de não querer recebe-los. Aprendi muitas coisas durante todos esses anos. E sei que ainda há muito mais por aprender. Eu ainda não estou lá, mas estou no caminho. Eu tenho 22 anos e sou ansiosa.

eleeme

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