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Minha ansiedade, minha história.

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Minha ansiedade, minha história.

Mensagem por Carolina Fogassa em Seg Maio 16 2016, 15:14

Apesar de muita gente olhar para mim e dizer que eu sou a “camomila em pessoa”, não imaginam o esforço sobre-humano envolvido. Minha mãe foi a pessoa mais ansiosa que conheci. Ela tinha também um temperamento altamente explosivo e sofria de uma grande compulsão. Esse perfil a levou ao inferno muitas vezes, tornando-a dependente de medicamentos, cigarro, bebida e jogos. Cada fase de sua vida teve uma compulsão um pouco mais marcante que a outra, mas todas estavam ali de coadjuvantes o tempo todo. Observar e conviver com tudo isso durante a infância e adolescência não foi fácil. Tínhamos uma vida muito instável de brigas, gritos, tentativas de suicídio, falta de dinheiro e sensação de abandono. Juntamente com meus 3 irmãos, entendíamos que o grande motivo de nossas aflições era ela, mas não tínhamos o discernimento e orientação necessários para lidar com aqueles sentimentos. Por toda a infância e adolescência, mantivemos uma grande distância, tanto dela, quanto uns dos outros, e alimentamos rancores e mágoas muito duros. Eu a julgava muito, não tolerava suas crises, considerava uma grande frescura e tentativa de chamar atenção. Ela era bem informada sobre o assunto, era enfermeira, já havia feito terapia, tomado dúzias de medicações ansiolíticas e antidepressivas por anos. Mesmo assim, nós, os filhos em nossa eterna mágoa infantil, julgávamos uma grande frescura as suas crises, o seu jeito ansioso e catastrófico de ser. Tínhamos o nosso pai como uma vítima, um mártir, e isso aumentava nossa indignação. Com o tempo, aprendi a buscar ajuda, busquei grupos de apoio, li, me informei e fui criando um conceito diferente sobre minha mãe e sobre a participação que todos tínhamos nesse quadro. Aprendi sobre a co-dependência e isso trouxe um alívio e um peso ao mesmo tempo.  Aprendi, gradativamente, a humanizá-la e a compreendê-la como alguém que precisava de ajuda também. Precisava, acima de tudo, de algo que ela nunca tinha recebido: aceitação e afeto.  
Com os anos, minha mãe foi acalmando-se, tornando-se um pouco menos explosiva. Com a chegada do primeiro neto, ela renovou seus votos de amor pela vida e passou a ser uma avó dedicada e disposta a tudo para agradá-lo. Via-se uma tentativa de corrigir um pouco seus “erros” do passado.
O que eu não consegui enxergar foi que eu havia me tornado uma pessoa muito parecida com ela, salvas algumas proporções. Por todo o trauma, tinha ódio de quem me comparasse com ela. Jamais cogitaria a mínima possibilidade de ter uma crise “de frescura” como tantas que vi ela ter. Para minha surpresa e desgosto, em novembro de 2014 tive a primeira GRANDE crise de pânico durante o início de uma viagem (de carona com uma pessoa que eu conhecia pouquíssimo) e, é claro, não sabia que era uma crise, tendo ido parar no pronto socorro. Naquele mês, eu havia descoberto uma tromboflebite na perna direita e, ao pesquisar sobre o assunto no google, vi que havia a possibilidade (remota) de uma complicação grave chamada embolia pulmonar. Eu já estava fazendo o tratamento, mas ao me deparar com a situação de uma viagem longa, com meu filho de 4 anos, comecei a ter um ataque no carro. Eu estava conversando com a senhora que dirigia e nos levava de carona de Blumenau à Joinville, onde encontraria meu marido para seguir viagem até São Paulo. De repente, comecei a sentir uma falta de ar e dor no peito muito fortes. Uma onda de terror me dominou e eu jurava que ia morrer ali. Desesperada porque meu filho estava no carro, eu tentava disfarçar e falava baixo para me levar ao hospital. Chorando muito. A senhora que estava dirigindo se desesperou também e me levou ao pronto socorro voando. Lá fiz eletrocardiograma e fui me acalmando, agoniada com o fato de meu filho estar na sala de espera com uma pessoa desconhecida, pedi para ir embora. Os médicos resistiram em deixar, mas eu assinei o pedido de alta e fui embora. Com bastante vergonha.
Passado aquele novembro, entrei em dezembro com um problema conjugal que me desestabilizou muito emocionalmente. Já em janeiro, depois de muito desgaste no casamento, fui surpreendida com uma gravidez ectópica. Uma gravidez que se deu no ovário e gerou uma hemorragia interna. Necessitei de uma cirurgia de emergência que me debilitou demais e modificou por completo a minha rotina e minha vida dali pra frente. Passei a ter crises diárias de pânico total. A todo instante eu achava que minha vida iria acabar. Na época, eu passava a semana sozinha com meu filho, num medo constante e irracional de morrer e deixá-lo só. Minha recuperação da cirurgia não poderia ser pior, tendo os pontos infeccionados, idas e vindas do hospital e muita solidão. Eu vivia transtornada pela iminência da morte. Cada dia que chegava ao fim, eu pensava: “Ufa, sobrevivi mais um dia!”.
Depois disso tudo, demorei muitos meses para recuperar minha auto-estima. Nesse meio tempo, tive crises terríveis das quais eu me negava a aceitar. Em casa, no carro, no cinema, na rua, no ônibus, no trabalho. Primeiro vinha o nó na garganta, fechava e o ar não entrava. Desesperador. Depois começou a vir o coração acelerado e a dor no peito. Sensações de desmaio e a clara sensação de que eu ia ficar louca ou morrer. Um dos dois. Em todo lugar. Um dia, em prantos, cheguei a dizer para meu marido: “Por favor, esteja preparado e prepare o nosso filho porque eu não vou sobreviver!”. Lutava com o fato de ser algo de ordem psicológica, pois não aceitava que estivesse acontecendo comigo o que acontecia com minha mãe (por mais maluco que seja, ainda tenho minhas dúvidas). Não aceitava que eu estava fora do meu controle. Ainda no ano de 2015, em 30 de junho, minha mãe faleceu. Uma morte súbita e inesperada. Passei, então, do consultório psicológico para o psiquiátrico. Comecei um tratamento medicamentoso que não deu resultado positivo, pois me dava muitos efeitos colaterais e, às vezes, parecia que piorava as crises. Deixei os medicamentos depois de 20 dias de tratamento. Poucas semanas depois, descobri que estava grávida. A gravidez ajudou bastante, juntamente com muita leitura. Ainda tenho crises, mas consigo contorná-las um pouco melhor agora. Estou no nono mês da gravidez e a ansiedade tem batido com força.

Carolina Fogassa

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Re: Minha ansiedade, minha história.

Mensagem por Escorpiana em Ter Maio 17 2016, 02:06

Oi, Carolina!

Li toda a sua história, puxa! A vida nos ensina tantas coisas e nos dá provações a toda hora. Você continua indo ao psicólogo ou parou após ser encaminhada para o consultório psiquiátrico? Eu venho fazendo terapia desde o final de Janeiro e esses primeiros meses tem sido bem bons em termos de auto-conhecimento. Estou indo semanalmente e percebo muito do meu comportamento em razão do temperamento e modo de vida da minha mãe também. Ela, ao contrário da sua, não é muito ansiosa, mas ela é extremamente preocupada e sei que a cabeça dela trabalha tanto quanto a minha! Tem dias que minha ansiedade me mata. Começo algo e não consigo finalizar de jeito nenhum, principalmente quando estou no computador ou lendo um livro. Me falta vontade e semana que vem irei a um psiquiatra por recomendação da minha terapeuta (por uma série de acontecimentos nos últimos meses, estou sofrendo com vários sintomas de uma possível depressão). Hoje meu dia foi melhor após o almoço. Não sou adepta de nenhuma religião, mas simpatizo muito com o espiritismo e é onde costumo frequentar. Farei uma série de 6 passes lá e sei que meu lado espiritual anda super bagunçado. Como acredito no espiritismo, ter retornado a um centro espírita fez muito sentido pra mim, pois acredito fielmente que o plano espiritual é muito maior do que o plano físico que estamos vivendo hoje. Ouvi coisas sobre meu plano espiritual que condizem perfeitamente com o estado em que estou hoje (ansiosa, confusa, me cobrando demais, com dificuldades para dormir). Ouvi tudo isso hoje e sei que isso será uma forma de me ajudar ainda mais no meu quadro.

Uma das formas de tentar conter a ansiedade é se apegar a religião ou a alguma crença, filosofia de vida que você acredite. Meditação é uma ótima forma de aliviar a ansiedade também. Fiz um curso de meditação no início de Março e uma das minhas colegas disse na época que sofria transtorno do pânico e que desde que começou a meditação, ela não teve mais nenhuma crise e logo que pensa que pode estar começando a vir uma nova, ela para, medita por uns minutos e logo a ansiedade e os sintomas do pânico se vão.

Podia tentar meditar, acho que seria uma ótima saída na tentativa de driblar a ansiedade. Se você se interessar, no youtube tem vários vídeos de meditação orientada, que é especialmente pra pessoas iniciantes. O ideal é ouvir ao acordar (se não der, antes de dormir)  Wink


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Re: Minha ansiedade, minha história.

Mensagem por Carolina Fogassa em Ter Maio 17 2016, 12:32

Escorpiana,
muito obrigada pelas dicas... Irei me disciplinar para tentar meditar. Também acredito ser uma boa saída... Beijos

Carolina Fogassa

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Re: Minha ansiedade, minha história.

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