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Nada para esperar 2

Mensagem por Vicent_Vega em Qua Jan 02 2019, 23:27


Tomei paroxetina – primeiro um comprimido, depois comprimido e meio – durante um bom tempo, não sei quanto. Depois cortei, cortei, até parar de tomar de todo. Li relatos sobre o tal do desmame e posso dizer que, muita paroxetina e alprazolam em s.o.s depois, larguei a medicação sem qualquer dificuldade de maior. Hoje tenho só o Bromalex para raros casos de s.o.s. porque, mesmo quando tenho insónias, evito tomá-los.

Com o fim da paroxetina, o que senti foi o normal regressar da minha metralhadora mental de pensamentos pessimistas que contaminam a minha vida. Por outro lado, também senti uma maior abrangência na sucessão dos meus pensamentos, ou seja, abri o leque, para o bem e para o mal.

Tentei matar-me uma vez na vida e nessa altura tomava 30 mg de paroxetina por dia. Muita coisa má me acontecia nessa altura e não foi a medicação que evitou nada. Tenho ideia que não morri, porque não calhou.

Hoje, pago as consequências de muito do que aconteceu nessa época e ainda lido com o maior problema que tenho desde sempre: eu mesmo. Ou seja, quem eu sou, como sou, como vivo, como vejo as coisas, como as sinto, como me relaciono com os outros.

Não tenho qualquer euforia quanto aos efeitos do antidepressivos em mim. No entanto, dou por mim a pensar como estaria eu agora se tivesse a paroxetina a pôr-me aquelas duas palas.

Tenho 30 anos e estou apaixonado. Há uma energia de paródia e ridículo à volta disto do “estou apaixonado”. Como se ouvisse uma musiquinha circense ao fundo, enquanto o digo ou escrevo.

Mas estou. E, como eu já sei há algum tempo, não é bom, não é bonito, não me faz bem. O fascínio, o entusiasmo, a pulsão, o deslumbre, nada disso compensa a outra face da moeda. E ela chega, mais dia, menos dia, ela chega. Vou deslizando o pezinho para os pensamentos autodepreciativos, para a obsessão sem sentido de pensar que tudo gira agora em torno daquela pessoa.

Consigo desmontar racionalmente todos os argumentos dessa paixoneta ridícula. Mas não deixo de senti-la como se eu fosse a personificação de Romeu. Não deixo de viver, dia a dia, a tormenta de estar apaixonado, de pensar a toda a hora nela, de tudo o que faça ter, em algum sentido, alguma relação com ela. Inclusivamente escrever essa merda de texto.

E ponho-me, idiota que sou, num papel ainda mais deprimente. Trabalho com ela e disponho-me a tudo. Sei que ela aproveita-se disso. Sei que o meu chefe aproveita-se da minha disponibilidade. Sei que abusam de mim.

Quando ao meu chefe, que se foda. Quanto a ela, bem, ajudo-a, faço sempre um extra para ajuda-la e desconfio, ou sei, que ela, sabendo de como me sinto, aproveita-se para benefício próprio. Sei que sou um idiota e que, tendo noção de que assim é, mais idiota me torno.

Dói saber que assim é, mas gosto dela e volto sempre ao mesmo. E amanhã chegarei mais cedo ao trabalho novamente, como fiz hoje, só para ajudá-la, idiota que sou. Para vê-la depois, sair do trabalho para encontrar-se com A, B, ou C, na verdade não sei quem, não sei onde, só me perco em ciúmes e solidão.

E vou-me deixando arrastar assim numa rotina que tende a repetir-se. Às vezes fico só à espera que chegue a folga para me afogar em álcool. Depois fico a rezar para que a folga acabe. Porque não sei o que fazer com a vida e porque quero desesperadamente, feito criança ansiosa, vê-la, estar perto dela.

Nestas alturas penso, que raio, eu sei que é assim. Há muito tempo que sei que é assim, que vai ser assim sempre. Ciclos que acabam sempre por regressar a este ponto em que eu só quero e eclipsar-me. Em que a minha baixa tolerância à dor sentimental é posta à prova. E por que não me mato? Não sei. NAAAAAAAAAAAAAOOO SEIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII.

Vicent_Vega

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Re: Nada para esperar 2

Mensagem por Doutor Marigold em Ter Jan 08 2019, 11:28

Revelas um grande autoconhecimento, o que é um bom ponto de partida para a resolução do teu problema.
Porém, abusas da vitimizacao.
Para com isso, livra-te dos medicamentos, assume-te como um homenzinho, e segue em frente!
Boa sorte!

Doutor Marigold

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